Quem sempre morou no litoral aprende cedo que carro enferruja mais rápido, portão descasca e chuveiro estraga antes. O que quase ninguém associa é que a mesma coisa acontece dentro do seu notebook e do seu computador, e por exatamente o mesmo motivo.
Depois de anos atendendo Santos, São Vicente, Guarujá e Praia Grande, esse é o fator ambiental que mais aparece na nossa bancada e o menos compreendido pelos donos.
O que é maresia, tecnicamente
Maresia é o sal marinho em suspensão no ar. As ondas quebram, lançam microgotículas de água do mar para cima, a água evapora e o sal permanece flutuando. O vento carrega essas partículas para dentro das casas, e elas se depositam em toda superfície disponível.
Dentro de um eletrônico, essa superfície é a placa de circuito. E o sal tem duas propriedades que o tornam especialmente ruim ali: ele é higroscópico, ou seja, atrai e retém umidade do ar, e a solução resultante conduz eletricidade.
Por que isso danifica a placa
Um circuito eletrônico é projetado com trilhas e contatos isolados uns dos outros. Quando um depósito salino úmido se forma sobre eles, dois processos começam ao mesmo tempo:
- Corrosão: o sal com umidade ataca os metais dos contatos e das soldas, formando aquele esverdeado que encontramos ao abrir aparelhos da região.
- Fuga de corrente: o depósito condutivo cria caminhos elétricos onde não deveria haver nenhum, fazendo o circuito se comportar de forma imprevisível.
É por isso que aparelho de litoral costuma apresentar falhas intermitentes difíceis de explicar. Notebook que ora liga ora não liga. Console que perde imagem de vez em quando. Conector que funciona só em certos dias. A umidade do dia muda a condutividade do depósito, e o sintoma vai e volta.
Onde o dano aparece primeiro
| Equipamento | Ponto mais afetado | Como se manifesta |
|---|---|---|
| Notebook | Dissipador, contatos de memória, conector de carga | Superaquecimento, não dá imagem, não carrega direito |
| Computador de mesa | Fonte de alimentação e contatos de memória | Não liga, reinício aleatório, tela azul |
| Notebook gamer | Dissipador duplo e placa de vídeo | Ruído alto, queda de quadros, desligamento por calor |
| All-in-one | Dissipador interno e fonte | Superaquecimento, desliga sozinho, imagem que pisca |
O que dá para fazer
Não dá para eliminar a maresia, mas dá para reduzir bastante a exposição. Nada aqui é caro nem trabalhoso:
- Não deixe o equipamento na direção da janela aberta que dá para o mar. É a medida de maior efeito e custo zero.
- Evite deixar aparelhos ligados a noite inteira em ambiente aberto e úmido.
- Mantenha o ambiente ventilado, mas com a brisa marinha indireta.
- Faça limpeza interna preventiva com intervalo mais curto do que o manual sugere.
- Se for guardar equipamento por meses, escolha o cômodo mais interno da casa, não o da varanda.
- Notebook e gabinete fora de móvel fechado, para o ar circular e a umidade não estagnar.
O caso das casas de temporada
O Guarujá concentra muito imóvel de uso sazonal, e esse é o cenário mais agressivo de todos. O equipamento fica meses parado, num ambiente fechado, úmido e salino, sem ninguém ligar para perceber que algo mudou.
Quando a casa reabre, o notebook não liga e o computador não dá imagem. E aí vem o segundo erro: insistir ligando várias vezes. Em aparelho com oxidação, cada tentativa pode transformar um contato corroído em trilha rompida. Se isso aconteceu com você, traga para avaliação sem insistir.
A conta que compensa
Uma limpeza preventiva anual custa uma fração de qualquer reparo de placa, e no litoral ela rende mais do que na média nacional. É a manutenção mais barata que existe e a que mais prolonga a vida útil do equipamento por aqui.
Atendemos toda a Baixada: Santos, São Vicente, Praia Grande, Guarujá, e Cubatão.
